O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou
nesta quinta (1) ao G1, em Ipojuca (PE), que eventuais informações que Marcos
Valério pudesse fornecer por meio de um acordo de delação premiada não poderiam
mais ser utilizadas no processo do mensalão, em fase final de julgamento no
Supremo Tribunal Federal (STF).
Na edição desta quinta, o jornal "O Estado de S.
Paulo" informou que Valério, apontado como operador do mensalão e
condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo, prestou depoimento em setembro ao
Ministério Público Federal e fez novos relatos sobre o esquema, nos quais
mencionou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio
Palocci. De acordo com o jornal, Valério disse que, se for incluído no programa
federal de proteção a testemunhas, poderá dar mais informações. Na última
terça, o STF informou que recebeu um fax no qual Valério oferece a delação em
troca de benefícios.
"A partir do momento em que o julgamento [do processo
do mensalão] se iniciou, não seria possível se falar em delação premiada,
porque ela vem apenas até a fase de conclusão, finalização da instrução
criminal, que encerrou-se, na verdade, no início do ano passado. Quando começou
a se falar de um possível interesse de Marcos Valério na delação premiada, já não
seria possível nesse processo", disse Roberto Gurgel, que conversou com o G1 em um resort na praia
de Muro Alto, em Ipojuca, onde acontece neste final de semana o Encontro
Nacional de Procuradores da República.
Gurgel não confirmou se, de fato, o MP voltou a ouvir
Valério em setembro, conforme relatou "O Estado", mas disse que
depoimentos decorrentes de um eventual benefício de delação premiada poderiam
ser utilizados somente em processos em tramitação, que ainda não foram a
julgamento.
"Haverá a possibilidade – e isso será examinado em
relação a outros processos que tramitam na Justiça Federal de primeiro grau –
[em casos de] processos que estão em andamento ainda, que não há julgamento. Aí
sim, haveria a possibilidade de examinar a viabilidade de uma delação
premiada", afirmou o procurador-geral, que não quis entrar em detalhes
sobre quais seriam esses processos.
Gurgel disse que Valério teve tempo, anteriormente, para dar
mais informações, e reiterou que não há mais chance de isso, agora, alterar o
curso do julgamento.
"Em relação a essa ação penal 470, não seria possível
Marcos Valério obter qualquer benefício nem se utilizar qualquer informação
nova que ele trouxesse porque a instrução criminal já está concluída",
declarou.

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