Nascido no interior paraibano, Chico César nunca deixou de
ser nordestino, mas aprendeu a ser cidadão do mundo. Mesmo conectado às
tradições, Chico enxerga no novo sua força motriz. “O que eu percebo é que meu
trabalho precisa respirar no diálogo com coisas novas, para que ele não se
torne um culto a uma possível tradição. Nós podemos até viver só pela tradição,
mas para mim isso não é o bastante, eu preciso da provocação do novo”. E foi a
provocação do novo que o fez aceitar um dos maiores desafios já enfrentados por
ele: assumir a pasta da Secretaria de Cultura da Paraíba em 2010. Seja no
trabalho artístico, seja como gestor público, Chico César não deixa de ser
contundente em seus versos e afirmações. Em conversa com o Bahia Notícias o
cantor falou sobre o Dia da Consciência Negra, sobre a MPB e os parceiros
musicais Lenine e Zeca Baleiro. E não deixou de comentar a política cultural e
a luta contra o financiamento público de bandas mantidas pelo mercado, como as
bandas de “forró de plástico”, como ele denomina. “Não vamos tocar nem forró de
plástico, nem dupla sertaneja na época junina [...] Aconteceram absurdos como o
forrozeiro Sivuca ser vaiado no interior da Paraíba, de Geraldo Azevedo ser
vaiado em Campina Grande porque estava tocando antes de Zezé di Camargo e
Luciano. E aí o São João vai virando uma festa qualquer”.
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